Sem muros e para todas/os: UERJ fazendo escola- por: Alexandra Lima da Silva

Alexandra Lima da Silva

Doutora em Educação pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), com período de bolsa sanduíche financiado pela CAPES na Universidad de Alcalá e bolsa doutorado nota 10 da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ). Bacharel, licenciada e mestre em História Social pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Atuou como professora adjunta do Departamento de História da UFMT (2013-2015) e professora permanente do PPGHIS/UFMT (2014-2016). Atualmente é professora adjunta da Faculdade de Educação da UERJ, Campus Maracanã, professora no ProPed/UERJ e professora colaboradora no ProfHist/UFMT. Coordenou a produção do vídeo Olhares: Instituições educativas centenárias de Cuiabá (FAPEMAT/2014). É pesquisadora da FAPERJ no programa Jovem Cientista do Nosso Estado (2015). Desenvolve pesquisas principalmente nos seguintes temas: história da educação, ensino de história, intelectuais e escritas de si. Apresentou trabalhos em eventos acadêmicos na Espanha, Portugal, México, Colômbia, Alemanha, Estados Unidos, Peru e Turquia. É co-organizadora do livro Outros tempos, outras escolas (2014).

Sem muros e para todas/os: UERJ fazendo escola

 

 Alexandra Lima da Silva
Professora da Faculdade de Educação
Universidade do Estado do Rio de Janeiro
alexandralima1075@gmail.com

A UERJ faz escola. Em muitos sentidos. Erguida em cima dos escombros da Favela do Esqueleto (ANJOS, 1969), a universidade nasceu em 4 de dezembro de 1950. Com lágrimas, luta para seguir existindo, em meio ao completo abandono, sem verbas para manutenção e custeio de serviços essenciais. A UERJ agoniza, mas resiste.

Correio da Manhã, 8/01/1950, Acervo: Hemeroteca Digital, BN

Minha relação com a instituição é recente. Ingressei no doutorado no Proped/UERJ em 2009, e desde então, vivo as alegrias e as angústias de fazer parte de uma instituição diferenciada. Na UERJ tive a primeira oportunidade de lecionar para turmas de graduação, na condição de professora substituta de História da Educação no curso de Pedagogia.

Antes disso, porém, no ano de 2009, atuei como professora de História no Instituto de Aplicação Fernando Rodrigues da Silveira – CAp/UERJ, cuja finalidade é “a formação docente inicial e continuada, em parceria com outras unidades acadêmicas da Universidade, e a promoção de educação básica de qualidade, de atividades de pesquisa em ensino e educação, da extensão universitária e da cultura na cidade e no estado do Rio de Janeiro”(MUNIZ, 2017).

Minha passagem pelo CAP/UERJ foi rápida, contudo, intensa. Lá pude vivenciar e compreender os significados de um projeto de educação básica, pública e de excelência. Ao longo de 60 anos de existência, o CAP foi uma escola feita pela UERJ, para a comunidade fluminense. Escola disputada e desejada:

a instituição sempre se caracterizou pela diversidade de seu corpo discente. O CAp-UERJ concede uma ajuda de custo a estudantes carentes que é repassada pela universidade via Sistema de Desembolso Descentralizado (Sides). Essa diversidade que hoje se expressa pelas questões socioeconômicas, culturais, de aprendizagem e de necessidades educativas específicas, continua a se constituir no grande desafio da instituição na consecução de seus objetivos, seja na sensibilização e qualificação dos/as licenciandos/as frente a atual complexidade socioeducativa, seja na promoção de ensino e educação de qualidade a todos, como princípio de cidadania (ALMEIDA, 2016, p. 106).

A preocupação com a  implementação de políticas de ação afirmativa também esteve presente nas práticas do  Instituto de Aplicação Fernando Rodrigues da Silveira – CAp/UERJ, que no ano de 2003:

com vistas à redução das desigualdades étnicas, sociais e econômicas, deverá a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), em relação ao Instituto de Aplicação Fernando Rodrigues da Silveira (CAp/UERJ), estabelecer cotas para o ingresso em seus cursos aos seguintes estudantes carentes: que cursaram integralmente o ensino fundamental na rede pública de ensino; negros, pardos e índios e pessoas com deficiência física” (ALMEIDA, 2016, p. 108).

Outra preocupação do Instituto de Aplicação Fernando Rodrigues da Silveira CAp/UERJ é a articulação com a comunidade. Assim, existem 36 projetos de extensão e o  Programa de Pós-Graduação de Ensino de Educação Básica – PPGEB oferece o curso de Mestrado Profissional, com fins na formação continuado dos professores da Educação Básica.

Além das diferentes ações do Instituto de Aplicação Fernando Rodrigues da Silveira CAp/UERJ, a Educação Básica é  horizonte também  dos cursos de licenciatura existentes na UERJ, sendo a formação de professores a grande meta.  Além disso, muitos dos projetos de pesquisa e extensão desenvolvidos pelos professores da UERJ têm a escola como principal destino. São produzidos vídeos, livros, dentre muitos outros materiais na/com/para a escola básica, muitos dos quais, com recursos provenientes da própria UERJ, a partir das bolsas diversas e do financiamento da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ), em programas como o edital de Apoio à Melhoria do Ensino em Escolas da Rede Pública Sediadas no Estado do Rio de Janeiro.

Infelizmente, o atual e devastador cenário de falta de investimento público na UERJ colocam em risco todo esse trabalho voltado para a tão umbilical relação universidade/educação básica. O projeto de sucateamento da UERJ ameaça toda a educação pública fluminense. Castelo de cartas, os impactos desta destruição são estarrecedores.

A UERJ faz jus ao nome universidade, no sentido de propor ações para além dos muros da academia. A UERJ faz escolas em sentido amplo. Uma escola cidadã. Dá aula de resistência, na luta diária por uma educação pública, plural e para todas e todos.

Referências

ALMEIDA, Monica. Ação afirmativa de corte racial na educação básica em uma escola de excelência: a experiência do Instituto de Aplicação Fernando Rodrigues da Silveira – CAp/UERJ. Rio de Janeiro: Tese (Doutorado em Educação), PUC/RJ, 2016.

ANJOS, Geraldo. Os Dias Agonizantes da Favela do Esqueleto. Rio de Janeiro: Gráfica do Cruzeiro, 1969.

MUNIZ, Georgina. A UERJ cresceu, cresceu sim!. http://www.uerj.br/lendo_noticia.php?id=1137

 

 

Luiza Oliveira

Editora Executiva da Revista Brasileira de Educação Básica

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