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Percepções sobre a abordagem de gênero no espaço escolar

Out-Dez-2019
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Anaquel Gonçalves Albuquerque

Mestre em Humanidades, Cultura e Artes (UNIGRANRIO), especialista em Educação de Jovens e Adultos (UFF), Gestão Escolar (UFF) e Gênero e Diversidade (UERJ). Graduada em Pedagogia (UERJ). Atuando como Apoio à Direção da Escola Municipal Deputado Hilton Gama, pela Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro e como Tutora de Apoio ao Professor, pelo Consórcio CEDERJ. Integrante do Grupo de Pesquisa EDUCIRD ( CEFET/RJ).

E-mail: anaquelalbuquerque@gmail.com

GÊNERO: UMA CONSTRUÇÃO SOCIAL

Os estudos de gênero surgiram no campo das ciências sociais na década de 1970 como um campo de pesquisa interdisciplinar, objetivando a compreensão das relações de gênero no mundo social. Com tais estudos representou-se, então, a ruptura com a tendência de buscar no determinismo biológico a explicação para as desigualdades entre homens e mulheres, promovendo, assim, a superação das teorias dos papéis sexuais e da complementaridade dos sexos. Dessa forma, a análise das desigualdades de gênero consiste na identificação de como se constituem as relações entre homens e mulheres face à distribuição de poder. Sendo um conceito marcado por vários significados, este pode ser concebido como a construção sociocultural do significado de ser homem e de ser mulher em uma determinada sociedade, conforme ressalta Priori (2007).

No que tange à definição de papeis e funções diferenciadas aos sujeitos em conformidade com a identidade de gênero, esta surge como um exemplo de determinação social (PRIORE, 2012) Como exemplo, podemos citar a situação da mulher, que já foi até mesmo identificada no passado como propriedade do pai (nos períodos colonial e no imperial brasileiro), do marido, sem qualquer tipo de direitos, sejam eles políticos, econômicos, sejam sociais. Esse cenário deu origem a uma intensa luta do movimento feminista como forma de não aceitação das normas desiguais que eram impostas a homens e mulheres.

Bourdieu (1999, p. 23-24) relaciona o conceito de gênero a uma estrutura de dominação simbólica na qual “o princípio masculino é tomado como medida de todas as coisas (…) Sabendo assim, que o homem e a mulher são vistos como duas variantes, superior e inferior (…).” Dessa forma, utiliza-se a diferença biológica existente entre os sexos como justificativa para a diferença construída socialmente entre os gêneros.

Nessa perspectiva, somente no final do século 20 a categoria gênero aparece como uma preocupação teórica, visto sua ausência em grande parte das teorias sociais, desde o século 17, até o início do século 20 (SCOTT, 1995). Durante esse período, discutiam-se questões relacionadas à oposição entre masculino e feminino, tendo como ponto de partida o reconhecimento da existência da questão feminina, bem como à definição da identidade sexual. Não existia nas análises e estudos o conceito de gênero como forma de identificar as relações sociais existentes entre os indivíduos.

Uma outra concepção de gênero é feita ao tê-lo como um elemento constitutivo das relações sociais, baseado nas diferenças percebidas entre os sexos, sendo isso a primeira forma de significar as relações de poder (SCOTT, 1995). Nesse sentido, as desigualdades de gênero se fazem cada vez mais presentes em nossa sociedade por denotarem um modo de hierarquia em relação às diferenças entre os sexos. Ainda de acordo com Scott (1995), as identidades subjetivas funcionam como um importante conceito para o entendimento de gênero, pois são formadas por processos de diferenciação e distinção, caracterizando como princípio da masculinidade uma necessária negação dos aspectos femininos, de forma que um só pode ser percebido a partir da diferença que possui para o outro.

Como exemplo desse processo de distinção e diferenciação existente na sociedade, nos remetemos à primeira instituição social da qual o indivíduo faz parte: a família. Por meio dela, já se estabelece como o indivíduo deve se comportar no meio social. O universo escolar, por sua vez, vem tomando um espaço maior, muitas vezes reforçando a segregação entre os sexos e gênero. Exemplo disso é a separação das brincadeiras para meninos e para meninas, evitando que eles tenham um contato, se interajam; de um lado, vemos meninos jogando bola, brincando com carrinhos nas mãos; de outro lado, as meninas com bonecas nos braços, cuidando de plantinhas ou coisas relacionadas à casa.

Tais práticas caracterizam o reforço da construção social, determinam, pois, como cada sexo deve se comportar nos diversos espaços. Assim, as instituições, como escola, família e religião, estão sempre reforçando os comportamentos de masculinidade e feminilidade, no dinâmico processo de socialização. A feminilidade e a masculinidade se apresentam, portanto, como construções culturais aprendidas durante esse processo. Nesse sentido, ao tratarmos de gênero, estamos nos referindo à socialização dos papéis que levam homens e mulheres a se comportarem diferentemente. O comportamento é, pois, construído socialmente, na interação entre os indivíduos, e as diferenças entre homens e mulheres são criadas e exacerbadas no processo de aprendizagem, carregados de estereótipos, os quais contribuem para perpetuar a desigualdade de gênero (LOURO, 1997).

Judith Butler (2015) nos propicia ainda mais a reflexão sobre a hierarquia existente nas relações de gênero, enfatizando que a sociedade estabelece as normas corporais a serem vividas, constituindo enquadramentos normativos entre os indivíduos, de forma a decidir qual vida deve ser preservada ou não. A filósofa norte-americana observa as relações de poder dessa normatividade que define as vidas que devem ser reconhecidas como vidas, de forma a serem passíveis de luto, e aquelas conceituadas como precárias, e, consequentemente, vulneráveis. Ela coloca que essa condição surge como algo a ser refletido, até mesmo pelo fato de preservar determinadas vidas em detrimento de outras, reafirmando que o reconhecimento ou não de uma vida é fruto de uma construção social, e o gênero, na maior parte das vezes, é um fator determinante que configura também como mais uma forma de prática da violência.

GÊNERO NA ESCOLA: OS DESAFIOS DESTA ABORDAGEM

Refletir sobre os conceitos de sexo e gênero significa afirmar que estes diferem quanto à origem e significação, pois a expressão sexo relaciona-se com a natureza, e descreve as características biológicas que diferenciam sexualmente machos e fêmeas de todas as espécies. Já no que concerne ao conceito de gênero, este está relacionado à cultura, designando os papéis e atributos de homens e mulheres na sociedade, de maneira que as diferenças biológicas são constantemente transformadas em desigualdade de gênero. Nesse sentido, alguns questionamentos têm surgido com mais frequência no campo da educação. Por exemplo: estão sendo desenvolvidas abordagens sobre questões de gênero durante as aulas? E como isso ocorre: de forma isolada ou interdisciplinar? Buscando resposta para tais questionamentos, apresentamos o recorte de uma pesquisa realizada em um Centro Integrado de Educação Pública (CIEP), localizado na Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro, durante o período de fevereiro a maio de 2018.

Contudo, antes da apresentação da pesquisa em si, cremos ser importante apresentar o CIEP em relevo, que oferta o ensino médio regular (pela manhã) e o mesmo curso com ênfase no Empreendedorismo, disponibilizado em horário integral. No que tange à proposta político pedagógica da instituição, esta tem como característica a intensidade das trocas entre os especialistas e a interação das disciplinas no interior de uma mesma proposta, como ressalta Japiassu (1976). Torna-se interessante ressaltar que as turmas de Empreendedorismo apresentam um diferencial, ao possibilitar que, durante os tempos destinados ao planejamento, os professores troquem experiências e formulem estratégias diferenciadas de ensino, voltadas para a obtenção de melhores resultados de aprendizagem. Outro ponto de destaque do curso de Empreendedorismo se dá por meio do currículo, visto que, além das disciplinas que fazem parte da base nacional curricular, os alunos do referido curso têm ainda aulas de Projeto de vida, Empreendedorismo e Projeto de Intervenção e Pesquisa. Tais disciplinas têm como propósito preparar o estudante para o mercado de trabalho e, concomitantemente, proporcionar uma correlação entre os conceitos trabalhados em sala de aula e a aplicabilidade desta aprendizagem em situações cotidianas.

Para fins de melhor compreensão, a escolha da instituição como local de pesquisa se deu em virtude do perfil tradicional da escola, que, desde sua fundação, foi gerida por um único professor, sendo este um profissional que trazia consigo as marcas de uma formação autoritária e rigorosa. Durante os anos de 1990 a 2015, jamais foram possibilitadas abordagens relativas às questões de gênero. Todavia, passados 25 anos de gestão escolar, com o falecimento do gestor no ano de 2016, a escola passa a ganhar um novo perfil; passa a ser administrada por uma das professoras que já fazia parte da instituição. Assim, a partir da transição da equipe gestora, iniciou-se uma proposta pedagógica mais inclusiva e participativa, com ênfase no protagonismo juvenil e na formação de indivíduos críticos e conscientes de seu papel na sociedade.

A pesquisa se deu por meio de questionário contendo perguntas abertas e fechadas que envolveu como sujeitos da pesquisa 30 alunos do 2º ano do ensino médio do curso de Empreendedorismo. Ressalta-se ainda que, embora esse grupo possa parecer relativamente pequeno, expressa o que pensa a maioria dos alunos que estuda em horário integral. Ainda que o questionário aplicado a esses alunos contenha dez perguntas relativas ao conceito, o presente trabalho se utilizará apenas de duas questões como norteadoras dessa proposta, a saber:

1) são abordadas questões de gênero durante as aulas? Se a resposta for afirmativa, com qual frequência e de que forma: isoladamente ou de maneira interdisciplinar?;

2) caso a escola não trabalhe questões relacionadas à gênero, na sua concepção, quais seriam os fatores que impossibilitam esta abordagem? E de que forma tal prática poderia ser desenvolvida nas escolas?

Acredita-se que tais questionamentos favorecem a reflexão sobre a abordagem de gênero nas salas de aula e as percepções dos estudantes sobre os motivos que levariam a uma possível não abordagem do assunto.

No que tange à primeira questão (sobre a frequência de abordagem das questões de gênero nas salas de aula e se esta abordagem seria realizada de forma isolada ou sob o enfoque interdisciplinar): 21 alunos (70% dos entrevistados) foram unânimes em responder que, raramente, havia tais discussões; e o restante dos entrevistados (30%) afirmou nunca ter ouvido falar sobre o assunto em sala de aula.

De acordo com a percepção dos sujeitos da pesquisa, a realidade retratada é lamentável, pois esses consideram a abordagem de gênero nas salas de aula como algo de extrema importância, podendo inclusive possibilitar a redução da violência vivenciada no contexto escolar, por meio da ênfase dada ao respeito às diferenças. Entretanto os próprios alunos destacam que surgem como principais fatores de impedimento a própria relação do assunto a um tabu existente na sociedade, bem como a preocupação dos professores em cumprir o currículo escolar, de maneira que a temática do gênero não faz parte dos conteúdos a serem trabalhados em nenhuma das disciplinas escolares.

Nesse viés, o currículo surge como um mecanismo de naturalização e produção das diferenças sociais (LOURO, 1997). É como se o currículo fosse algo pronto e acabado, não permitindo o acréscimo de outras abordagens, mesmo que estas favoreçam o desenvolvimento do indivíduo. Surge, então, o questionamento quanto à função da escola, pois se esta instituição deve propiciar meios para a formação integral do indivíduo, como desconsiderar assuntos que estão diretamente relacionados a um aspecto social, histórico e cultural, que afeta sobremaneira os indivíduos em geral, visto que, em algum momento da vida, também podemos nos tornar vítimas desse processo excludente e discriminatório?

Associando a importância da escola para a formação de todos os indivíduos, seu respectivo acesso configura direito essencial e constitui um dever das três esferas de governo. Contudo, para que não somente o acesso como também a permanência dos alunos na escola transcorra de forma favorável, torna-se necessário romper com qualquer prática excludente ou potencializadora de opressões a grupos estigmatizados, pois

Queira ou não, a escola intervém de várias formas, embora nem sempre tenha consciência disso e nem sempre acolha as questões dos adolescentes e jovens. Seja no cotidiano da sala de aula, quando proíbe certas manifestações e permite outras, seja quando opta por informar os pais sobre manifestações de seu filho, a escola está sempre transmitindo certos valores, mais ou menos rígidos, a depender dos profissionais envolvidos no momento (BRASIL, 1997, p. 292).

Torna-se essencial reconhecer que em todos os espaços sociais por onde circulamos, as relações nas quais estamos inseridos se constituem a partir do gênero, sendo este um assunto a ser trabalhado em todas as áreas. Portanto é preciso assumir uma postura contínua e vigilante no que se refere a desestabilizar as divisões sociais, interferindo assim nos jogos de poder existentes em nosso meio, que tanto reforçam a continuidade das desigualdades. (LOURO, 1997).

Além disso, não poderíamos deixar de abordar os inúmeros casos de violência perpetrados em função do gênero, como uma forma de não aceitação às escolhas feitas pelos indivíduos em geral. Violência essa que tem sido banalizada e cuja certeza da impunidade corrobora, na maior parte das vezes, para a prática acentuada da criminalidade (PRIORI, 2007).

Tais fatores demonstram que é necessário mudar as estruturas educacionais e se voltar à discussão de gênero nas salas de aula, com o intuito de preparar os alunos para atuarem na sociedade de maneira igualitária. E essa certamente é uma tarefa a ser desempenhada por todas as disciplinas que fazem parte do currículo escolar, pois implica garantir o respeito à opinião do outro, assegurar a participação de todos e a prática de ações que viabilizem a não discriminação dos indivíduos. Principalmente porque espera-se que a escola possa contribuir para a formação da criticidade, no sentido de possibilitar que os indivíduos se posicionem de forma mais equilibrada em uma sociedade repleta de diferenças e infinitas variações (CARRARA, 2009).

Ainda de acordo com a pesquisa realizada, ficou exposto por meio das percepções dos sujeitos da pesquisa que a abordagem de gênero não ocorre de forma isolada, assim como não ocorre sob o enfoque interdisciplinar. Os próprios alunos lamentam, em sua totalidade, ao relatar que, assim como o currículo escolar é ministrado por meio da integração entre as diferentes disciplinas, sendo realizados variados projetos ao longo de todo o ano letivo, a abordagem de gênero nas salas de aula também deveria ser priorizada no Projeto Político Pedagógico da escola. Segundo os alunos participantes, essa prática propiciaria uma relação mais harmoniosa entre os indivíduos, uma vez que tenderia a estimular o respeito às diferenças e às mais variadas diversidades existentes em nosso meio.

Para essa finalidade, os alunos trazem como proposta a realização de debates, palestras e atividades em grupo, com vista a exercitar o respeito ao próximo. Os participantes da pesquisa também destacam que essas atividades precisam ser incorporadas ao currículo da unidade escolar, devendo ser trabalhadas no decorrer de todo o ano letivo, e não somente em um período específico, pois as escolas devem oportunizar momentos de reflexão e mudança de atitude, extensivas à comunidade local, contribuindo, assim, para melhorias na sociedade.

Tindall e Hamil (2004) nos trazem contribuições nessa área, sinalizando outras estratégias propiciadoras de redução da discriminação quanto ao gênero a serem trabalhadas por professores, tais como a adoção de práticas didáticas mais igualitárias, o estabelecimento de relações entre os conceitos científicos e a experiência de vida dos alunos, o respeito as diferenças de estilo de aprendizagem e o estímulo à formação de um ambiente de autoconfiança na sala de aula.

Importante destacar que a abordagem sobre gênero nas escolas não é algo de fácil aceitação pela sociedade, visto que nos encontramos em um espaço marcado pela resistência, onde profissionais que se utilizam de atividades nas escolas objetivando trabalhar a diversidade são denunciados a hierarquias superiores ou até mesmo processados (POUGY, 2017). Soma-se a esse contexto a ausência de leis que regulamentem trabalhos voltados à educação sexual nas escolas, havendo tão somente documentos que respaldam a intervenção nessa área, voltados à prevenção de doenças, promoção de saúde e garantia dos direitos humanos.

Assim como em qualquer outra prática docente, há de se enfatizar que, ao propor reflexões sobre as questões de gênero no ambiente escolar, é essencial dominar conhecimentos sobre o meio em que cada indivíduo vive, ou seja, seu lugar afetivo. Além do aspecto psicopedagógico e do ambiente escolar, é preciso respeitar o universo que o aluno ou aluna traz para a sala de aula. Universo esse que foi (nos anos que antecederam sua entrada na escola) e está sendo constantemente sedimentado. É preciso respeitar a realidade sociocultural do indivíduo e os seus ritmos de desenvolvimento (JAKIMIU, 2011).

Enfim, ser professor é algo que vai além da mera formação obtida nas universidades, pois caracteriza um processo complexo que envolve o profissional de forma intelectual, social, moral, emocional e estética, como afirma Beattie (1995). Garrido e Carvalho (1995) corroboram essa compreensão ao enfatizarem que os cursos de formação de professores vêm sendo considerados insatisfatórios no que tange não somente à preparação dos docentes para o ingresso no mercado de trabalho como também no que se refere à atualização desses profissionais. Dessa forma, esperar que o educador, que se constituiu sujeito a partir de valores específicos, como religiosos e morais, desenvolva um trabalho problematizador voltado à desconstrução de preconceitos de gênero torna-se extremamente desafiador.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Cabe-nos os questionamentos: como promover a interdisciplinaridade como modo de compreender o ser humano em suas várias formas de ser e estar no mundo? Como contribuir para a superação das diferenças encontradas em nosso meio? No que tange ao conceito de gênero, a interdisciplinaridade surge como uma proposta de abordagem, na qual devem ser consideradas a dimensão afetiva e a construção de valores, associadas à permanente avaliação da prática educativa, pois esta pode perpetuar ou ressignificar conceitos e atitudes. Gênero seria, portanto, um assunto a ser trabalhado por professores de todas as áreas e nos diferentes níveis de escolaridade.

Para melhor compreensão das relações de gênero, é preciso compreender a influência das relações de poder na formação do sujeito, que é formado, definido e reproduzido de acordo com as exigências dos sistemas jurídicos de poder vigentes na sociedade. Esse mecanismo se dá por meio “da limitação, proibição, regulamentação, controle e mesmo ‘proteção’ dos indivíduos relacionados àquela estrutura política, mediante uma ação contingente e retratável de escolha.” (BUTLER, 2015, p. 18-19).

Há entre nós um contínuo reforço da construção social, determinando com base no gênero, a forma como os indivíduos devem se comportar em cada espaço, constituindo, assim, um ato de violência, que corrobora para uma prática excludente e preconceituosa. Torna-se, portanto, necessário estimular o desenvolvimento de ações coletivas, inclusivas e cooperativas, de maneira que as escolas e universidades necessitam reformular suas ações, utilizando não somente metodologias de ensino voltadas para a transmissão do conhecimento científico mas também metodologias de trabalho que enfoquem questões ligadas às diferenças e às desigualdades. Acreditamos que essas práticas contribuiriam para que os indivíduos assumissem posições menos discriminatórias no tocante às questões de gênero tão presentes em nossa sociedade.

 

 

 

REFERÊNCIAS

BEATTIE, M. New prospects for teacher education: narrative ways of knowing teaching and teacher learning. Educational research, v. 37, n. 1., p. 53-70, 1995.

BOURDIEU, Pierre. A Dominação Masculina. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil,1999.

BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: Introdução aos Parâmetros Curriculares Nacionais. Brasília: MEC; SEF, 1997.

BUTLER, Judith. Problemas de Gênero: Feminismo e subversão da identidade. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2015.

CARRARA, Sergio. Educação, diferença, diversidade e desigualdade. In: Gênero e diversidade na escola: formação de professoras/es em gênero, sexualidade, orientação sexual e relações étnico-raciais: livro de conteúdos. Brasília: MEC, 2009.

GARRIDO, E.; CARVALHO, A. M. P. Discurso em sala de aula: uma mudança epistemológica e didática. Coletânea 3ª Escola de Verão. São Paulo: FEUSP, 1995.

JAKIMIU, V. C. L. Violência simbólica nas relações de gênero: caminhos para promover uma Educação Emancipatória. In: BONA JÚNIOR, A. (org.). A sexualidade em questão. Estudos e Subsídios Sobre o Abuso e a Educação Sexual de Crianças e Adolescentes. União da Vitória, PR: Uniporto, 2011.

JAPIASSU, Hilton. Interdisciplinaridade e patologia do saber. Rio de janeiro: Imago Editora Ltda., 1976.

LOURO, Guacira Lopes. Gênero, sexualidade e educação: uma perspectiva pós-estruturalista. Petrópolis, RJ: Vozes, 1997.

POUGY, Lília Guimarães. Pedagogia de gênero e o feminino em perspectiva: implicações à cidadania brasileira. Revista Educação e Emancipação. São Luís, v. 10, n. 4, edição especial, p. 142-165, set/dez 2017.

PRIORE, Mary Del. História das Mulheres no Brasil. São Paulo: Contexto, 2012.

PRIORI, Claudia. Retratos da violência de gênero: denúncias na Delegacia da Mulher de Maringá. Maringá, PR: Eduem, 2007.

SCOTT, Joan. Gênero: uma categoria útil de análise histórica. Porto Alegre, RS: Educação e Realidade, 1995.

TINDALL, T.; HAMIL, B. Gender disparity in science education: the causes, consequences, and solutions. Education, v. 125, n. 2, p. 282-295, dez. 2004.

Imagem de destaque: Photo by Michael Prewett on Unsplash

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