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Memes de internet e o contexto político brasileiro: uma sequência didática para as aulas de história.

Julho - Setembro - 2018
Maria Alice

Maria Alice de Souza

Mestranda em Educação e Formação Humana na Universidade do Estado de Minas Gerais. Graduada em Letras pela Universidade Federal de Minas Gerais (1996), possui especialização em Educação, Mídias e Tecnologias pela Universidade do Estado de Minas Gerais (2007). Atualmente leciona Língua Portuguesa na Escola Estadual Governador Milton Campos.

E-mail: mariaalicepos@gmail.com

INTRODUÇÃO 

Cada vez mais presentes no cotidiano das pessoas, as tecnologias digitais se tornaram ferramentas essenciais para se acessar uma informação. A tela hoje é muito mais que espaço de leitura e escrita, tornando-se lugar de aprendizagem. Assim, não basta desvendar códigos, ler e escrever são condutas sociais que reverberaram na comunidade (SOARES, 2002; COSCARELLI E RIBEIRO, 2005; XAVIER, 2005).

Com efeito, o uso das tecnologias digitais tornou possível formas comunicativas revolucionárias, fazendo emergir novos gêneros textuais. Além disso, conforme Rojo (2009), as tecnologias digitais trouxeram para os eventos da cultura escrita novas nuanças relacionadas ao prestígio, modos de publicação e circulação.

Diante disso, rompendo com a visão de uma aula voltada para apenas para a erudição, foi que a professora Cláudia Lobo[1] e eu idealizamos uma sequência didática, em que a Língua Portuguesa subsidiasse o componente História em atividades que se articulassem em torno do meme de internet. A palavra “meme”, na internet, surgiu na década de 90, quando Joshua Schachter criou um site que reunia conteúdos e links que se proliferavam pela rede – o Memepool. No entanto, foi etólogo Richard Dawkins (1978), na obra O gene egoísta, que ao teorizar sobre evoluções culturais e genéticas, criou o vocábulo para designar a unidade de cultura que se propagava de uma mente para outra. O neologismo, que provém da forma em inglês “mimeme”, origina do grego “mimema”, da mesma raiz de “mimese” (imitação), ainda apresenta, para o biólogo evolucionista, semelhanças com as palavras “gene” e “memória” (DAWKINS, 1978; HORTA, 2015).

Desse modo, fugindo da visão reducionista que muitos indivíduos possuem do meme de internet, nós resolvemos tornar esse artefato cultural, que surge fora de instituições formais, objeto de uma sequência de aulas. Conhecido pela combinação de imagens e dizeres humorados, o gênero se tornou bem popular na internet, sendo sua repercussão percebida pela recorrência de transmissões, comentários ou imitações por redes sociais, blogs, websites, aplicativos de mensagens instantâneas, entre outros (CHAGAS, 2016).

Possuindo normalmente teor cômico, mordaz ou crítico, os memes de internet dizem de qualquer assunto. Pode ser criado por um indivíduo ou por grupos especializados, que não apenas compartilham um conteúdo, mas estabelecem conexões e estimulam percepções (CHAGAS, 2016). Acrescenta-se a isso que a proliferação do gênero tem reunido os indivíduos em torno de interesses comuns (BARRETO, 2015; ESCALANTE, 2016), indicando que o meme diz respeito de uma prática comunicativa que abarca diversas esferas da vida contemporânea (EUZÉBIO e CERUTTI-RIZZATTI, 2013).

Ainda se faz necessário esclarecer que minha experiência com o meme de internet se deu a partir da convivência com os próprios estudantes do ensino médio. Foi observando as peças que esses jovens postavam em suas páginas eletrônicas que percebi que elas iam muito além de frases ou imagens engraçadas, contendo teor afetivo, crítico e político. Foi desse contato com as redes sociais juvenis que veio a vontade de realizar um trabalho que envolvesse o meme de internet.

Isso exposto, quanto ao procedimento metodológico, este artigo se caracteriza, por um lado, como revisão de literatura com um recorte qualitativo, por apresentar um levantamento e seleção bibliográficos de material já publicado até o momento sobre o assunto (MARCONI E LAKATOS, 2010); e, por outro, como relato de experiência, por apresentar uma sequência didática desenvolvida com alunos do ensino médio de uma escola pública da rede estadual do município de Belo Horizonte.

Ressalta-se que este artigo é estruturado em três seções: na introdução apresentou-se o assunto, motivações da proposta e a metodologia empregada. Na segunda parte a evolução do conceito de meme de internet será exposta. Ainda, nessa seção, uma sequência didática em que aspectos relacionados à leitura e à produção desse artefato será explicitada. Por fim, nas considerações finais, as principais ideias expostas no artigo serão retomadas sinteticamente.

MEMES DE INTERNET NAS AULAS DE HISTÓRIA: UMA EXPERIÊNCIA DIDÁTICA.

Se minha história com os memes começa com a convivência com os nativos digitais, a história dos memes se inicia com Richard Dawkins que, ao teorizar sobre as espécies, definiu-os como replicadores de comportamento (DAWKINS, 1978). No entanto, mutantes como são, os memes começaram a se metamorfosear a partir de seu surgimento. Assim, na década de 90, foram considerados artefatos informacionais com atitude (DENNETT, 1998), transmitidos pelo aparato cognitivo humano (BLACKMORE, 2002). Nos anos 2000, vistos como artefatos culturais tipicamente modernos (JENKINS, 2009), tiveram dimensão local e global destacada dentro da web (RECUERO, 2007). E hoje associados às redes sociais, vinculam padrões de composição e propósitos multimodais, sendo identificados como memes de internet (SOUZA JUNIOR, 2014).

Salienta-se ainda que a internet se tornou o local mais fecundo para memes, que enquanto intricados informacionais apenas fazem sentido a partir de um contexto. Sob esse ponto de vista os memes, ao replicarem de maneira maciça, mostram não apenas o repertório individual e cultural de seus criadores, mas também daqueles que os compartilham. Além disso, ao incorporarem a versão alternativa de peça original que foi alterada ou recombinada para outro contexto e o humor, ridicularizam ideologias, influenciando as redes de contato (CHAGAS, 2016).

Memes de internet nas aulas de História: a metodologia da sequência didática

Com a intenção de promover o debate sobre os acontecimentos que mobilizaram a sociedade brasileira a partir do segundo mandato da presidente Dilma Russef, a professora Cláudia Lobo utilizou o fato histórico como instrumento para se chegar a um discernimento maior sobre os acontecimentos políticos vivenciados pelos brasileiros. Desse modo, entendendo a contextualização como elemento imperativo para o conhecimento histórico, ela orientou os aprendizes para analisarem um evento em relação ao momento sócio-econômico-cultural.

Em decorrência disso, na primeira etapa da sequência didática, Lobo apresentou a proposta aos alunos, explicitando como os memes de internet seriam agregados ao trabalho. A simples menção da palavra “meme” causou uma agitação entre os estudantes. Nesse momento, eu expliquei a eles que o meme configuraria como representação da situação de comunicação que seria executada (DOLZ, NOVERRAZ e SCHNEUWLY, 2004), sendo que a excelência da produção final dependeria do empenho deles em todas as fases do trabalho.

Depois dessas explicações os alunos foram instruídos a realizar pesquisas sobre a crise política brasileira iniciada com o impeachment da presidente Dilma Russef, refletindo sobre o papel da mídia na divulgação de todo processo. Os estudantes ainda foram orientados a investigar sobre os desdobramentos da Operação Lava a Jato, que levou à prisão vários parlamentares, ex-ministros e empresários. Eu os orientei que buscassem fontes confiáveis, verificando como a mesma notícia era apresentada em veículos de comunicação diferentes. Além da indicação de algumas páginas virtuais, Cláudia Lobo se preocupou em preparar os alunos para o reconhecimento de notícias sensacionalistas. Na sequência, cada turma foi dividida em grupos de alunos, que puderam escolher um evento a partir do contexto determinado.

Durante duas semanas os jovens realizaram pesquisas sobre o assunto escolhido, preparando-se para o debate. As investigações realizadas pelos alunos foram realizadas como tarefa de casa e os estudos aconteceram individualmente.

A segunda parte da sequência didática se caracterizou pela capitalização das aquisições dos aprendizes. Nessa ocasião, durante os debates, podemos aferir o desempenho linguísticos dos jovens e os conhecimentos adquiridos por meio das pesquisas. Assim, o acontecimento histórico serviu como instrumento para se questionar o presente, promovendo uma participação crítica dos estudantes durante as discussões. Os debates aconteceram nas aulas de História ao longo de uma semana, mas com repercussões em Língua Portuguesa, uma vez que os alunos recorriam à disciplina para construir diferentes argumentos. Após os fóruns de discussão, veio a produção do meme.

A terceira parte da sequência didática foi dedicada à produção de um meme de internet. Os alunos foram orientados a criar peças que reunissem noções e ensinamentos adquiridos durante as duas etapas da sequência didática. A partir disso, cada grupo teve uma semana para confeccionar seu produto. Não houve a necessidade de se promover explanações sobre como construir um meme, pois, segundo observei, essa era uma prática comum aos jovens. No entanto, uma vez que nossa proposta integrava imagem e texto, durante esse período, nas aulas de Língua Portuguesa, apresentei aos alunos algumas proposições da Gramática do Design Visual, de Gunther Kress e Theo van Leeuwen. Também expus as considerações de Souza Junior sobre as categorias multimodais de análise. De acordo com o autor, na mensagem multimodal, existe uma organização e estrutura dos elementos visuais, ou seja, “alguns elementos representados aparecerão na frente e outros no fundo do cenário da imagem; uns iluminados e outros completamente foscos ou borrados; podem existir itens colocados no centro e outros nas margens(SOUZA JÚNIOR, 2015, p. 11, grifo do autor).

Isso exposto, alguns aprendizes produziram os memes a partir de um gerador de memes, ferramenta disponível em diversos sítios da internet, que permite criar peças personalizadas a partir de imagens; outros recorrem ao editor de imagem de seus computadores pessoais para a criação do artefato. Para essa tarefa, a sala de informática da escola foi cedida para os alunos no contraturno escolar. No entanto, observei que a maioria dos grupos desenvolveram as tarefas em seus próprios lares. Para minha surpresa, vários grupos produziram mais de um meme, demonstrando o grande envolvimento deles com o trabalho. Para encerrar a sequência didática, os memes criados pelos grupos foram apresentados numa exposição para apreciação de toda turma.

Para a exposição, quarta e última parte do trabalho, cada grupo providenciou a impressão de sua peça, que foi afixada nas paredes da própria sala de aula (foto 1). Coube a cada aluno apreciar as produções alheias, tecendo comentários ou questionando os produtores sobre as intenções da peça, quando não conseguiam decodificar sua mensagem.

Foto 1. Exposição dos memes criados pelos alunos no encerramento da sequência didática promovida pelas disciplinas História e Língua Portuguesa, em julho de 2017. Na foto, os alunos apreciam as peças produzidas pelos colegas.Fonte: Maria Alice de Souza.

Durante a exposição analisei, juntamente com os alunos, as representações visuais, levando-os a perceber que, em se tratando de memes de internet, há de se considerar tanto as categorias narrativas como as conceituais. Em outras palavras, mostrei aos jovens que nos processos narrativos são admitidos os participantes (seres humanos ou não), que fazem algo para alguém ou recebem algo de alguém e as circunstâncias (instrumento, local, companhia); já nos processos conceituais, os participantes estão associados (são superiores ou subordinados) a outros elementos visuais (KRESS; VAN LEEUWEN, 2000, apud SOUZA JÚNIOR, 2014).

Avaliando os resultados da sequência didática

A partir da confecção dos intrincados os alunos compreenderam que impregnado de intertextualidade, o meme de internet demanda de quem o interpreta vários saberes. Diante de uma peça, que se caracteriza pelo compartilhar, imitar e remixar (SHIFMAN, 2014 apud ESCALANTE, 2016), compreendem-se não apenas as tendências culturais de seus criadores, suas identidades individuais; mas também a essência da cultura participativa, atribuída pelo sentimento de pertença das identidades a grupos coletivos específicos (CANEN, 2015).

Com minha mediação os alunos chegaram à conclusão que os memes de internet são vistos como: a) itens digitais com características semelhantes de conteúdo, forma e postura; b) peças criadas pelos usuários com conhecimento em outras peças; e c) objetos imitados, transformados e distribuídos pela internet (SHIFMAN, 2014 apud ESCALANTE, 2016).

Na confecção das peças os alunos tiveram como suporte a internet. Recorrendo a aplicativos de geradores de meme ou utilizando softwares para edição de imagens os jovens associaram textos, imagens e vídeos disponíveis na Grande Rede a situações da política brasileira. As personalidades já conhecidas por eles representavam circunstâncias que motivaram as discussões dos debates. Nessa direção o meme de internet se mostrou como “meio” e “palco” de produção de saberes históricos e educacionais que permitiram aos aprendizes confrontar experiências significativas de sua existência (CUNHA; PRADO, 2017).

Os memes de internet produzidos pelos alunos possuíam uma linguagem simples à primeira vista. No entanto, as peças vincularam singularidades de outros campos do saber, instigando práticas sociais que envolveram a leitura e a escrita. Embora a escrita de um meme não precise adotar a norma culta da língua, exige dos produtores outras habilidades como utilizar softwares de edição e familiaridade com a plataforma usada (COSCARELLI, 2006; ESCALANTE, 2016, CHAGAS, 2016).

Recorrendo ao princípio do design os alunos averiguaram como a reelaboração de determinado item corria. Nas peças expostas, percebeu-se esse remix a partir do momento em que um meme foi ressignificado para originar novas peças. Essa proposta de análise ainda reuniu o estudo de imagem e texto, considerando as compreensões da linguística sistêmico-funcional, de Kress e Van Leeuwen (SOUZA JÚNIOR, 2014).

Para se compreender como o meme de internet se organiza em sua discursidade, a análise das peças se pautou nas condições de produção e na noção de lugar, já que o discurso como instrumento de prática política modifica as relações sociais criando determinadas demandas. De acordo com LIMA (2003, p. 82), a história não é vista como uma sucessão de fatos cronológicos com sentidos já dados, mas “fatos que reclamam sentidos, cuja materialidade não é possível de ser apreendida em si, mas no discurso”.

Em nenhuma produção foi detectado discurso de ódio, provando que os estudantes souberam discernir os limites entre liberdade de expressão e agressão a direitos constituídos. As peças criadas pelos jovens sempre bem espirituosas, diziam do momento político vivenciado por eles ou da reverberação das investigações realizadas pela Polícia Federal do Brasil, conforme figura 1. Constatei ainda que para se construir os significados dos memes de internet, os produtores entenderam como se encadeavam as sequências tipológicas, estabelecendo coerência a partir das escolhas léxicas utilizadas.

Figura 1. Figura 1. A peça tem como base um meme bem conhecido na internet: a personagem Nazaré Tedesco, vilã da telenovela Senhora do Destino. Na montagem, a legenda “Como uma empresa do tamanho da Petrobrás foi saqueada por tantos e por tanto tempo sem que suas incontáveis auditorias internas descobrissem?” elaborada pelo grupo de alunos participantes da sequência didática é seguida das imagens da atriz Renata Sorrah rodeada de expressões matemáticas num estado de confusão.Fonte: Alunos na terceira fase da sequência didática em junho de 2017.

Além dos referenciais teóricos, para se analisar as peças, discutiu-se com os grupos de alunos, como eles entendiam os elementos constitutivos de um meme de internet. Também foi analisado como determinado meme ou expressão memética se mostram favoráveis ao aparecimento de novas peças (SOUZA JÚNIOR, 2015). Aliás, como se pode perceber na figura 2, grande parte das peças produzidas apresentaram não só construção multimodal, isto é, uma imagem, distribuída digitalmente, de maneira multimidiática, vinculada a uma legenda (SOUZA JÚNIOR, 2014), como posicionamento político de seus produtores,.

Figura 2. A montagem apresenta quatro imagens de expansões cerebrais associadas a legendas que mostram o posicionamento do grupo participante da sequência didática em relação às eleições de 2018. Na primeira ilustração, o cerébro inativo mostra os dizeres “Bolsomito 2018”. Na segunda, o cerébro com sinais de atividade vem acompanhado das palavras “Lula 2018”. A terceira imagem apresenta um cerébro bem iluminado, sugerindo seu grande desenvolvimento, ao lado de “Eu vou votar nulo”. E, por último, a imagem exibe um cerébro completamente expandido (o supercerébro) acompanhado de um post de instagram com o seguinte comentário: “Eu sou de deixar o Brasil sem presidente. Aí a gente cria um grupão de WhatsApp e vai decidindo as coisas”.Fonte: Alunos na terceira fase da sequência didática em junho de 2107.

Nesse exercício de significação o meme de internet foi elemento importante para a formação do pensamento crítico, permitindo entender um determinado sentido histórico. A interpretação de cada peça exigiu observação e conhecimento da estrutura do objeto inserido no tempo e no espaço. No entanto, Escalante (2016, p. 93) alerta que isso não quer dizer que todos os indivíduos aprenderão algo com o meme de internet; mas, em algum momento, ele poderá incitar a curiosidade de alguém que não conseguiu entender o seu código. Afinal a leitura de uma peça envolve “saber ler; saber em qual língua o meme está escrito; conhecer as referências culturais que estarão presentes nele; saber manusear o aparato técnico em que ele está exposto, etc.”

Nessa seção apresentou-se os resultados de uma sequência didática desenvolvida com estudantes do primeiro ano do ensino médio de uma escola pública da rede estadual do município de Belo Horizonte no estado de Minas Gerais. A proposta didática foi apresentada para ilustrar as teorias que compreendem o meme de internet como um artefato cultural, que leva em consideração os participantes do discurso, os elementos da enunciação, as situações e intenções comunicativas. Paralelamente a essas concepções, foi salientado que a produção de um meme considera tanto as referências internas à obra como as de outros artefatos culturais externos a ela ou circunstâncias políticas, sociais e históricas.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este artigo, ao analisar uma sequência didática, pretendeu mostrar que, no atual contexto, o meme de internet emerge como uma nova forma de expressão da cultura digital. Desse modo, por intermédio desse produto, os alunos do ensino médio de uma escola pública do município de Belo Horizonte, no estado de Minas Gerais, reconheceram os mecanismos de transformação da estrutura política brasileira ao criar uma peça de maneira crítica, ética e responsável.

A experiência mostrou que se para o conteúdo de História, por meio da produção de memes de internet, foi proporcionado aos aprendizes a análise de acontecimentos em relação ao momento sócio-econômico-cultural brasileiro; em Língua Portuguesa, essas vivências contribuiriam para o engajamento crítico dos alunos nas diferentes práticas sociais. Mostrou também que o meme não apenas compartilha um conteúdo mas estabelece conexões, uma vez que a construção de seu sentido, por ser uma ação individual, exige a articulação de conhecimentos prévios vindos de diferentes fontes.

Em síntese, se de um lado, a escola produz práticas, problemas, demandas e modos de subjetivação que lhe são peculiares; de outro, ela abarca os discursos presentes nos vários artefatos tecnológicos da contemporaneidade. Tais questões colocam-nos diante do desafio de incluir o teor da internet nas disciplinas escolares, garantindo que os jovens possam ler criticamente o conteúdo disponível em rede.

 

REFERÊNCIAS

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[1] Cláudia Maria da Silva Lobo é graduada pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Belo Horizonte – FAFI-BH.  Especializou-se em História do Brasil pela mesma instituição. Leciona a disciplina história no ensino médio na Escola Estadual Governador Milton Campos.

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