Editorial

Março 2019

Editorial Ano 4, número 12. Janeiro – Março de 2019

A apresentação é a finalidade da prática de coral?

Quais os entraves na atual estrutura educacional vigente que não permitem a implantação de ferramentas capazes de promover a autonomia e emancipação dos indivíduos?

Quais as dificuldades do ensino de Química nos anos iniciais do ensino fundamental? E como podemos superá-los?

O que a literatura da área aponta sobre as causas e o tratamento adequado para as crianças diagnosticadas com TDAH?

Essas e outras questões mobilizaram professores da educação básica, estudantes das licenciaturas e estudantes dos mestrados profissionais e acadêmicos em educação que submeteram suas investigações e práticas na Revista Brasileira de Educação Básica.

Emerson Tineo, em seu artigo Apresentação pública de canto coral: foco principal ou parte do processo?, apresenta um levantamento bibliográfico acerca da prática de coral, a partir dos eventos de ensaio e apresentação, e traz a reflexão acerca do objetivo da constituição de grupos corais. A bibliografia recolhida neste artigo aborda a seguinte questão: A apresentação é a finalidade da prática de coral? Emerson defende a importância de “entender a prática vocal coletiva como uma experiência pedagógica, artística e de excelência técnica, não limitada ao palco” destacando a importância do reconhecimento da dimensão pedagógica da atividade do regente em corais e defendendo que a performance musical tem um trabalho pedagógico que a antecede.

Outro levantamento bibliográfico foi feito pela professora pedagoga Janete Pereira Santos Carvalho no artigo Trasntorno do déficit de atenção e hiperatividade: uma reflexão no ensino fundamental I onde dialoga com produções de diversos estudiosos e pesquisadores do TDAH, analisando suas causas, sintomas e critérios para avaliação e questiona: O que é realmente o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade? Como identificá-lo na infância? Quais as suas causas? E, por fim, qual o tratamento adequado para com a criança diagnosticada com TDAH?

A professora Maria Laura Musegante apresenta no artigo “Humanização na Educação Básica, a contribuição dos Direitos Humanos a partir da bibliografia sobre o tema o reconhecimento da educação como um direito humano, como fazer esse direito ser aplicado na Educação Básica e a importância da construção da dignidade humana, tais como ética, cidadania e moral entre os estudantes. O artigo também propõe analisar os entraves na atual estrutura educacional vigente que não permitem a implantação de ferramentas capazes de promover a autonomia e emancipação dos indivíduos fomentando a educação como um Direito Humano. No artigo a autora defende a promoção de ações pedagógicas que vão além de uma educação presa a aspectos conteudistas, e que tenha base numa educação como direito humano. Para Maria Laura Musegante é preciso incluir nos programas curriculares e adotar recursos didáticos capazes de promover no educando a reflexão crítica sobre sua função como ser dotado de direitos e de como suas interações contribuem para a formação da cidadania.

Baseadas na justificativa de que o método de ensino tradicional não promove um aprendizado em contato com as realidades dos estudantes em sala de aula, as docentes Vera Mattos Machado, Alda Maria Teixeira Ferreira com a estudante do curso de Biologia da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul Natália Camargo Braga desenvolveram e investigaram o jogo didático “Protozooses do Brasil” com o objetivo de contribuir com o aprendizado de Biologia em sala de aula. A investigação da aplicação do jogo didático na escola de ensino médio Teotônio Vilela em Campo Grande (MS) se justificou em função da grande incidência das doenças de Chagas, Leishmanioses, Toxoplasmose e Malária no Brasil e, principalmente, em Mato Grosso do Sul está no artigo Jogo didático “Protozooses do Brasil”.

Os pós-graduandos em Ensino de Ciências Vívian Helene Diniz Araújo e Kelison Ricardo Teixeira relatam no texto “A química dos anticoncepcionais: o ensino de grupos funcionais no ensino médio por meio do tema transversal orientação sexual” uma aula de Química Orgânica aplicada à estudantes do terceiro ano do Ensino Médio de uma escola da rede pública estadual situada na cidade de Betim, região metropolitana de Belo Horizonte (MG). Os autores relatam no artigo como o funcionamento dos medicamentos e seus conceitos científicos promoveram a discussão sobre a saúde sexual e a emancipação feminina em sala de aula contribuindo para a formação transversal.

As professoras Alexandra Geronimo e Sheila Pressentin Cardoso, apresentam como a aguçada curiosidade infantil estimulada pelo contato do aluno com a observação dos fenômenos facilitam o ensino de conceitos químicos nas séries iniciais do ensino fundamental. A aula de química realizada na Escola Municipal Professor Paulo Freire em Belo Horizonte foi descrita pelas professoras no artigo “Curiosidade infantil, química e uma receita de bolo” onde concluem que a familiarização com os conceitos químicos pode ser possibilitada pelo professor polivalente dos anos iniciais comumente considerada avançada.

A professora de português na EJA, Ana Maria de Oliveira, apresenta no artigo “A argumentação de alunos da EJA no artigo de opinião” uma análise sobre o ensino de português no trabalho com os gêneros discursivos. Ana Oliveira apresenta como o discurso do outro e o uso de argumentos em textos de opinião de alunos da EJA revelam que os sujeitos enunciadores procuram utilizar argumentos para discutir sobre as polêmicas relacionadas às suas vivências numa comunidade representativa de grupos menos favorecidos.

Uma escola localizada no município de Alto Alegre (RR), recebeu intervenção do serviço de psicologia de cunho informativo a fim de prevenir situações futuras, diante de um caso identificado pela escola como prática de bullying. O trabalho relatado no artigo “A psicologia educacional na percepção e diminuição do bullying na escola” por Jessik K. Custódio Pereira, Josimara Cristina de Carvalho Oliveira e Oscar Tintorer Delgado se caracterizou como pesquisa qualitativa realizada por meio de uma abordagem participante e da pesquisa de campo. A investigação foi encaminhada no Mestrado Profissional em Ensino de Ciências da Universidade Estadual de Roraima.

A discente do curso de Mestrado Profissional em Docência em Educação em Ciências e Matemáticas da UFPA Paula Giselle da Costa Rocha e a professora orientadora Maria da Conceição Gemaque de Matos apresentaram no artigo Formação continuada de professores com Ensino por Pequisa (EPP) suas reflexões a partir de novas abordagens de prática pedagógica, destacando as necessidades de renovação no ensino de ciências. As autoras apresentam no artigo um recorte da pesquisa qualitativa que trouxe abordagens narrativas organizadas em oficinas de formação continuada para professores dos anos iniciais do ensino fundamental, contribuindo com a adoção de posturas docentes inovadoras e produzindo caminhos novos que só podem ser considerados após uma reflexão face a sobreposição conteudista em detrimento do ensino interdisciplinar e crítico.  

Por fim, o artigo Saberes matemáticos e permanência na EJA, de Francisco Josimar Ricardo Xavier e Adriano Vargas Freitas apresenta as vivências de duas estudantes da zona rural de uma escola municipal da zona rural de uma cidade do Ceará na Educação de Jovens e Adultos (EJA) a partir de entrevistas que foram analisadas por meio da Análise Textual Discursiva. Os autores demonstram que os saberes das estudantes podem ser compreendidos em uma perspectiva matemática e estão eles ligados às suas histórias de vida enquanto mulheres que aprenderam a lidar com trabalhos de palha de carnaúba. A permanência das estudantes na EJA da zona rural é influenciada pelas práticas pedagógicas de suas professoras somadas às relações de afetividade com seus pares.

Além dos artigos publicados na Revista Brasileira de Educação Básica, esse número também apresenta o episódio “Criatividades Contínuas”, terceiro da série “O pão nosso de cada dia”. Nesse penúltimo episódio da série, Thiago Rosado apresenta o professor Helder Junio de Souza a partir dos questionamentos iniciais: Quanto tempo é suficiente para fazer um professor? O que o presente traz de novo? Helder nos apresenta os seus apontamentos e direções para um caminho de criatividade na sala de aula, depois de 15 anos de profissão.

Na Seção Opiniões, a estudante de pedagogia Lyssa Duarte manifesta suas reflexões sobre o impacto dos últimos eventos políticos no país que reverberam em uma estudante do curso de pedagogia, nas suas relações com colegas instituição e afetos que nos permite refletir como esses alunos estão lidando com os conflitos que têm a educação como cenário de disputa. Lyssa Duarte apresenta em sua visão quais as aberturas que permitiram revogar o reconhecimento da importância de Paulo Freire e quais os caminhos possíveis para enfrentar essas questões no lugar que ocupa e do qual compartilhamos.

A edição de número 12 da RBEB também traz, além de dois artigos sobre a EJA, o verbete Educação de Jovens e Adultos elaborado pelo professor titular da Faculdade de Educação da UFMG Leôncio Soares, convidado pelo editor da Seção Especial Vocabulário da Educação João Valdir.

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